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A Propaganda e as Crianças

“Criar uma personalidade tornou-se a principal atividade da moderna máquina publicitária. Para isso, vale qualquer coisa, até convencer o indivíduo que a chave para se tornarem felizes, está na marca dos produtos que venham a consumir, ou dos modismos que devam seguir..."

Autor: Os Editores[1]


 

"O sucesso do "alinhamento das crianças" para se tornarem fiéis aos nossos produtos, depende da implantação, em suas mentes, do conceito de que já são maduras o suficiente para saber o que querem!", frase proferida durante uma reunião de campanha publicitária nos anos 50, nos EUA.
Nas décadas de 50 e 60, nos Estados Unidos da América do Norte, cuja doutrina e influência do seu modo de vida, sempre induziu a forma de pensar de grande parte das regiões do chamado mundo ocidental, as grandes associações de vendedores, que sempre trabalharam em conjunto com a indústria da publicidade, comemoravam o crescente índice de natalidade verificado naquela nação, o maior, dos últimos anos.

Nessa época a indústria da publicidade, isso não é fato novo, teve suas grandes e mais inovadoras técnicas desenvolvidas, para a incitação ao consumo, dentro dos Estados Unidos da América. A despeito de existir o resto do mundo, suas ações se voltaram para o consumo interno, uma vez que a população, a nação, em busca de afirmação, de solidificar de vez sua auto-suficiência e soberania, uma vez que acabara de se consagrar como maior potência do ocidente após o término da Segunda Guerra, prosperava a olhos vistos.
  E as campanhas de consumo interno evocavam o patriotismo. Então, as grandes agências, viram ali a oportunidade de ouro para vender qualquer coisa. Afinal, era um apelo nacional, não se tratava do hábito de “simplesmente comprar”, mas de um ato patriota. “Comprem, comprem sem parar e ajudem a nação a prosperar!”, era o comovente apelo na ocasião. Depois vieram as campanhas incentivando cada cidadão a possuir duas unidades de cada coisa, objeto, bem de uso pessoal, até casas e automóveis.

No embalo de construir uma mentalidade inteiramente voltada para o consumo dos bens produzidos pela indústria local, de olho no futuro, incentivava-se agora o aumento da natalidade. “De que serve uma grande nação sem uma grande população?”, era a pergunta que jogavam para os jovens casais. "Tenham filhos, tenham filhos aos montes e ajude nossa nação a se tornam ainda maior". E foi o que aconteceu.

Nos bastidores do mundo das vendas, todos comemoravam tal advento, afinal de contas, os consumidores do futuro estavam sendo produzidos aos montes, como brinquedos eletrônicos, ávidos por consumir pilhas. E um mundo de possibilidades ainda não exploradas pela máquina de vendas, se abria como uma gigantesca bolsa cheia de dinheiro, cujo conteúdo deveria ser daquele que a conseguisse abrir em primeiro lugar.

Pensavam os vendedores: “Atualmente, nossas vendas, direcionadas apenas aos adultos, chegam num limite crítico, perigoso, pois quase não conseguimos mais convencê-los a comprar nossos produtos. Mas, agora, podemos usar as crianças para convencê-los, e um novo e quase infinito mercado de possibilidades, está diante de nós, prontinho para ser explorado, com uma vantagem; este nós podemos construir, condicionar à nossa vontade, criar indivíduos que podemos controlar, desde a mais tenra infância”.

E nascia assim um mercado de consumo, cujo esforço da máquina da propaganda, se voltaria totalmente à criar nelas, nas crianças, uma forma de pensamento conduzida, controlada, planejada; uma forma de pensar de acordo com suas expectativas, direcionada ao consumo de seus produtos, e para isso valia qualquer coisa.

Para os vendedores era um mercado emergente fabuloso, uma vez que poderia ser usado, e imediatamente, convencendo os pais a consumirem mais produtos infantis, e mais tarde, poderia ser “talhado” de acordo com os interesses da sempre faminta máquina de vendas.

A despeito do grandioso mercado infanto-juvenil que se vislumbrava, os vendedores foram lembrados de que um dia, todas aquelas crianças se tornariam jovens; um dia se casariam e então se tornariam verdadeiros gastadores, desde que fossem convenientemente “educados” para isso. E diziam as campanhas de vendas internas, convocando os publicitários a levarem em conta esse imenso público em suas campanhas: “Agarrem-nos enquanto estão na idade de agarrar!”.

Orientações dentro das grandes corporações e agências publicitárias em todos os níveis, pregavam, que os jovens, depois de passaram de um mercado de consumo para outro, isto é, deixando de serem bebês ou crianças pequenas e adentrando na faixa dos sete aos doze anos, estavam na idade ideal de adquirir novos hábitos de compra, estes, para toda a vida.

Assim se criava a fabulosa e próspera, até hoje, indústria de criar os desejos para as crianças e jovens, para depois os atenderem. “A criança de hoje é bem esclarecida, como um adulto, já sabe exatamente o que quer; o que deseja para se realizar, para ser feliz!”, diziam nos bastidores. E, nas entrelinhas acrescentavam: “Desde que essa felicidade esteja atrelada ao desejo de consumir nossos produtos”.

“Vamos criar suas vontades, seus desejos, suas identidades, sempre voltadas para o consumo, o consumo dos produtos dos nossos clientes, que também são nossos parceiros. E ao final de tudo, irão desejar nossos produtos, como se aquilo fosse a fonte derradeira, essencial, indispensável para que sejam felizes!”, foi o veredicto final.

E as faixas mais jovens, antes ignoradas pela máquina de consumo, aos poucos, sufocada pela maciça e milionária campanha publicitária que se seguiu, foram inteiramente “formatadas” para terem desejos, vontades cada vez mais vorazes, para consumirem qualquer coisa. Desse modo, nascia a próspera e cada vez mais faminta máquina de criar novos consumidores, que mais tarde tratariam de fazer a mesma coisa com os seus filhos, e filhos destes.

Rádio, televisão, livros, programas infantis, peças teatrais, contos infantis, tudo foi criado, transformado ou adaptado para “conscientizar” esses jovens da sua nova postura diante desse mundo, uma postura voltada para o consumo, como se fora a chave definitiva para serem felizes, como se isso fosse o salvo conduto para se tornarem importantes e "atuantes" cidadãos.




Autor: Os Editores
email: sitededicas@yahoo.com.br



Notas:

[1] Os artigos aqui apresentados, além de refletirem nossa opinião sobre os diversos assuntos da atualidade, são resultados de estudos antropológicos dos nossos pesquisadores, que ora são divulgados ao nosso público leitor.


 
 
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