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A Estratégia das Falsas Verdades

“Parece que nosso tempo livre se tornou nosso maior problema, uma vez que logo precisa ser preenchido por algum tipo de ocupação...”

Autor: Os Editores[1]


 

“Perceber, não a mentira em si, mas a verdade de que aquela mentira, não importa o poder da autoridade que a promova, é coisa falsa, esse é o primeiro sinal de inteligência"
Recentemente tomamos conhecimento de algo tão comum em nossos dias, que sequer tem força para chamar com seriedade a atenção de alguém. Isso não chegou ao nosso conhecimento porque seja algo novo, mas pela forma como os meios de comunicações, trataram do assunto.

Isso também não quer dizer que o tema não seja digno de atenção, mas simplesmente porque, de tão condicionados que somos pela máquina que controla nosso quase inteiro pensar, pouca ou quase nenhuma importância a isso damos.

Talvez se em nossa casa tivermos um problema semelhante, talvez assim, isso se torne real e exija maior atenção de nossa parte, senão se torna apenas assunto de distração em nossas conversas com amigos, uma espécie de pauta para ser debatida apenas como forma de preenchimento da ociosidade daquele momento, um lazer por assim dizer.
  Feita uma pesquisa pela Universidade de Harvard dos Estados Unidos, constatou-se que a maioria dos jovens, garotas e rapazes, tem algum tipo de preocupação com a estética do seu corpo, uma insatisfação que acaba por afetar seu inteiro comportamento social, sua maneira de se postar diante da vida.

Afeta sua autoestima de uma forma tão importante, que logo chamou a atenção dos psicólogos de plantão interessados, não pelo discutir em busca de uma solução para o problema, mas com interesse apenas pelo fato em si, já que pode de alguma forma interferir em suas posturas profissionais. Embora trate-se de um fato antigo, estatisticamente traz novidades, pois nunca antes se viu tanto jovem a padecer desse problema.

Diante disso, algo precisava ser feito, descobrir as causas, conceituar a coisa, de modo que se tornasse mais uma das inúmeras coisas sem solução que logo recebem o rótulo de patologia moderna. Na falta de uma solução para um problema, basta rotular de doença social por exemplo, e o problema estará resolvido. Uma criança que se torna um viciado em vídeo game, logo se torna um caso médico, e uma nova patologia é às pressas designada para não resolver o problema. Quando não se tem a intenção de enfrentar e resolver um problema, basta então que seja classificado como doença, doença social e coisas assim, e pronto está feita a solução.

Não seria mais simples dizer que aquele garoto sofre com a completa indiferença e ausência dos seus pais? Se os pais alegam falta de tempo para o filho, não poderiam também classificar a falta de tempo pelo vício ao trabalho como uma patologia? Mas isso já foi providenciado, já é tratado assim, e tudo fica com está. De um lado pais omissos e egoístas viciados em trabalho, do outro um jovem carente, viciado numa máquina que lhe faz companhia sem reclamar, sem nada exigir, dia e noite.

Pais precisam trabalhar para prover o sustento desse mesmo filho. Que filho é este, se estes pais passam a maior parte do seu tempo com os amigos, na rua ou no trabalho? Tanto isso é verdade, que quando estão diante dos filhos, sequer sabem sobre o que conversar com eles, parecem mais dois estranhos tentando artificialmente se conhecerem. De um lado uma criança louca para que os pais a deixe em paz, para que possa voltar à companhia de sua máquina, que faz o papel de pais, de amigos, de qualquer coisa; do outro os pais, diante do filho, e pensando no trabalho, pensando em suas vaidades pessoais, nos problemas dos outros que tem para resolver fora de casa, no trabalho, nas relações.

Feita a pesquisa, perguntou-se às meninas qual o problema delas afinal de contas, pois é possível a um jovem ter problemas, todos eles, os problemas, não pertencem apenas aos mais velhos? Descobre-se que as meninas na maioria das vezes, desejam mudar alguma parte do seu corpo por razões estéticas; ora para ceder às reinvidicações dos amigos, ou das amigas, e por fim das mães.

Sem culpas ou culpados à vista, resta saber porque tais opiniões afetam de uma forma tão brutal as jovens, a ponto de algumas se recusarem a sair de casa, de se relacionaram com seus amigos. Diante do espelho já sabem exatamente o que as incomoda, sabem o que desejam mudar, mas de onde partiu essa ideia inicial? Se falam os amigos e amigas, ou mesmo a mãe, de onde todos eles tiraram a ideia que os levaram a comparar aquela jovem, com alguma coisa que ela nunca será? Sim, porque para que alguém tenha uma opinião sobre alguma coisa, algum modelo ele tem que usar como comparação. Podemos pensar em alguma coisa sem uma referência prévia? O fato é que isso não é possível.

Se comparam a amiga ou filha com alguma coisa que ela não é, é porque se tem em mente alguma coisa, uma ideia preconcebida. Comparamos a jovem com outra pessoa, isso é bem lógico, e essa pessoa com toda certeza é outra jovem, um referencial popular de estética aceita pela sociedade de consumo, como padrão de beleza. Mas, e onde está esse modelo base, de onde vem essa ideia, de onde vem a indução de que esse modelo, esse referencial de beleza precisa existir, senão dos meios de comunicação? Há beleza sem as luzes e o estrelato que o mídia proporciona? Existe fama sem alguém que a promova, sem os séquitos sedentos de alguém para adorar ou idolatrar? Quem precisa promover ídolos e ícones de beleza senão a mídia para manter o imenso mercado publicitário que é a base de todo o seu faturamento, sua vida enfim?

Se uma mãe compara uma filha com alguém famoso, ou alguém desconhecido, as razões porque usa esse argumento, agora, contra ela, não vem ao caso, mas é porque decerto tem em mente um modelo de beleza que sua filha não possui. Essa ideia, evidentemente, tem uma origem óbvia, os meios de comunicações, ou simplesmente mídia, que é o termo mais atual. Revistas, livros, jornais, internet, e principalmente televisão, onde as imagens ganham vida e glamour, são as fontes de toda paranóia do ser humano moderno, principalmente quando o assunto é, padrão de estética para jovens e adultos, ou crianças, ou para qualquer coisa que esteja na sua mira do interesse comercial. Pouco importa para eles, para os meios de comunicação em massa, os valores dos indivíduos, já que sua força é capaz de criar novos valores, à sua vontade, à depender do seu interesse financeiro de momento.

Finalmente, esses meios de comunicação fizeram uma pesquisa entre os brasileiros focando diretamente este assunto. Como era de se esperar, perguntas tendenciosas, respostas óbvias. Diante de um público ávido por receber a próxima ordem de consumo, nada como a ilusão de uma grande mentira. Eis o resultado divulgado pelos especialistas responsáveis pela pesquisa:

Perguntou-se: Quem influencia as adolescentes? Isto é, quem condiciona, pressiona ou induz, as adolescentes a adotarem suas posturas de comportamento.

Entre os entrevistados, a resposta foi a seguinte:

A influência das mães, 52%,
Das amigas, 49%,
Dos meninos, 15%,
E espantosamente, da mídia, de apenas 7%.


Mas esqueceram de perguntar, quem influencia a todos, quem influencia as mães, as amigas, os amigos, todos, senão a mídia? Que somos insensatos não podemos negar, mas fechar os olhos para tal disparate, é negar o próprio dom de pensar. Diante de uma situação, onde aquilo que é óbvio nos é negado apenas para defender interesses pessoais ou corporativos, devemos questionar para que nos servem os olhos, o bom senso, e se aquilo que podemos claramente perceber, é igual ao que querem nos fazer ver.

Negar um fato é distorcer o que é verdadeiro em benefício da mentira, da falsidade que é mais conveniente, que apenas favorece os interesses daquele que intencionalmente engana. Diante de uma situação assim, não devemos nos impressionar, quando em pouco tempo, de seres humanos indivíduos pensantes, passarmos a máquinas controladas por outra máquina, que nos dirá como devemos orientar toda nossa vida, isso, se já não estivermos agindo dessa forma.




Autor: Os Editores
email: sitededicas@yahoo.com.br



Notas:

[1] Os artigos aqui apresentados, além de refletirem nossa opinião sobre os diversos assuntos da atualidade, são resultados de estudos antropológicos dos nossos pesquisadores, que ora são divulgados ao nosso público leitor.


 
 
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