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A Mula-sem-Cabeça, Burrinha-de-Padre ou simplesmente Burrinha, é o castigo da
concubina do padre católico.
Na noite da quinta para sexta--feira, muda-se numa mula, correndo com espantosa rapidez, até o terceiro
cantar do galo.
Seus cascos afiados dão coices que ferem como se fossem navalhadas. Homens ou animais que encontra pela frente,
ataca à patadas. Ouve-se, de longe, o barulho do seu galope sobrenatural e as dentadas com que morde o freio
de ferro que tem à boca.
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Pela madrugada, exausta, recolhe-se e volta à forma humana. Para que a "manceba" do padre não se
transforme em Burrinha é preciso que este não se esqueça nunca de amaldiçoá-la antes de celebrar
a santa Missa.
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Os detalhes variam. É uma mula que não tem cabeça mas relincha. É de cor negra, com uma cruz de pelos
brancos no dorso. Tem olhos de fogo. Tem um facho luminoso na cauda e geme como um ser humano. Está em todo
Brasil, em todas as regiões.
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É crença nos sertões de todo Nordeste, que as Burrinhas, em sua forma humana, além de muito
belas, são extremamente gentis e delicadas.
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Dizia-se também que as mulheres de má vida relacionadas com padres, tarde da noite, "viravam" Mula-sem-Cabeça.
Tinham por sina correr sete cidades, todas as noites, em que saíam.
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