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Como na tradição dos seres fabulosos das águas[1], Honorato, adorava
a dança. Costumava então aparecer nos bailes ribeirinhos, encantando a todos com a sua elegância. Desaparecia
para surgir, cinquenta léguas adiante, noutro baile.
Na margem do rio ficava a pele enorme da cobra, esperando a volta de Honorato.
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Para que se quebrasse o encanto de Honorato era preciso que alguém tivesse
muita coragem para derramar leite na boca da enorme cobra, e fazer um ferimento
na cabeça até sair sangue. Ninguém tinha coragem de enfrentar o enorme monstro.
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Até que um dia um soldado arrojado de Cametá (município do Pará) conseguiu libertar Honorato
da maldição. Colocou leite na boca da serpente e feriu-a com um golpe de sabre.
Honorato deixou de ser cobra d'água para viver na terra com sua família, como um homem normal.
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[1] De acordo com a tradição, os seres misteriosos que vivem na água amam a dança
como a mais natural das ocupações. A Iara cantava, mas a Ondina não dispensava um baile.
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