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A Lenda de Romãozinho
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Dizem que não há um limite para a maldade. Será isso verdade?
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Era um menino filho de lavrador, e já nasceu vadio e malcriado.
Adorava maltratar os animais e destruir plantas, sua maldade já era aparente.
Um dia, sua mãe mandou-o levar o almoço do pai que estava num
roçado trabalhando. Ele foi, de má vontade é claro.
No meio do caminho, comeu a galinha inteira, juntou os ossos, e
levou para o pai.
Quando o velho viu o monte de ossos ao invés de comida, perguntou que brincadeira sem graça era aquela.
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Romãozinho, ruim como era, querendo se vingar da mãe, que tinha ficado em casa lavando
roupa, disse:
" Foi isso que me deram... Acho que minha mãe comeu a galinha com
um homem vai lá quando o senhor não tá em casa, aí mandaram os ossos..."
Louco de raiva, acreditando no menino, largou a enxada e o serviço, voltou para
casa, puxou a peixeira e matou a mulher.
Morrendo a velha amaldiçoou o filho que estava rindo:
" Não morrerás nunca. Não conhecerás céu ou inferno nem descansarás, enquanto existir
um único ser vivo na face da terra."
O marido morreu de arrependimento. Romãozinho sumiu, rindo ainda.
Desde então, o moleque que nunca cresce, anda pelas estradas, fazendo o que não presta;
quebra telhas a pedradas, assombra gente, tira choco das galinhas. É pequeno, pretinho como o Saci, vive
rindo, e é ruim.
Não morrerá nunca enquanto existir um humano na terra, e como
levantou falso testemunho contra a própria mãe, nem no inferno poderá entrar.
Informações Complementares:
Nomes comuns: Romãozinho, Fogo Fátuo, Corpo-Seco.
Origem Provável: A lenda é conhecida no leste Bahia, em toda Goiás, parte do
Mato Grosso e também na fronteira do Maranhão com Goiás.
Os primeiros relatos do mito
são do distrito de Boa Sorte, município de Pedro Afonso, em Goiás, fronteira do Maranhão, e data do século XX.
Outras versões do conto, dizem que a mãe do menino, fiava algodão no alpendre da casa, quando o
marido chegou por trás dela e a matou.
O menino, também vira uma tocha de fogo que fica indo e vindo pelos caminhos
desertos. Alguns dizem que ele é o próprio Corpo-Seco, isto é, alma de gente tão ruim que
nem o céu nem o inferno o deixaram entrar, por isso vaga pelo mundo assustando as pessoas.
Alguns estudiosos dizem que o mito do Saci-pererê, deu origem a essa lenda.
Notas:
Esta lenda foi compilada também pelo Sr. José A, Teixeira, em sua publicação, O Folclore Goiano, pp. 361-374,
São Paulo, 1941, onde faz um estudo da sua extensão e convergência posterior para o mito do Saci-Pererê.
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