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A Lenda da Vitória Régia
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Os mitos são representações alegóricas dos maiores temores, dos sonhos, da complexa natureza do homem
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Os pajés tupis-guaranis, contavam que, no começo do mundo, toda vez que a
Lua se escondia no horizonte, parecendo descer por trás das serras,
ia viver com suas virgens prediletas.
Diziam ainda que se a Lua gostava de uma jovem, a transformava em estrela do Céu.
Naiá, filha de um chefe e princesa da tribo, ficou impressionada
com a história. Então, à noite, quando todos dormiam e a Lua andava
pelo céu, Ela querendo ser transformada em estrela, subia as colinas e
perseguia a Lua na esperança que esta a visse.
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E assim fazia todas as noites, durante muito tempo. Mas a Lua parecia não
notá-la e dava para ouvir seus soluços de tristeza ao longe.
Em uma noite, a índia viu, nas águas límpidas de um lago, a figura da lua. A pobre moça,
imaginando que a lua havia chegado para buscá-la, se atirou nas águas profundas do lago e
nunca mais foi vista.
A lua, quis recompensar o sacrifício da bela jovem, e resolveu transformá-la em uma
estrela diferente, daquelas que brilham no céu. Transformou-a então numa "Estrela das Águas",
que é a planta Vitória Régia. Assim, nasceu uma planta cujas flores perfumadas e brancas
só abrem à noite, e ao nascer do sol ficam rosadas.
Origem: Indígena. Para eles assim nasceu a vitória-régia[1].
Informações Complementares:
Nomes comuns: Vitória Régia.
Origem Provável: Mito indígena.
Há uma segunda versão amazônica desse mito[2].
Esta é uma das lendas inspiradas por Perudá[3] e nasceu do amor entre a índia Moroti e o guerreiro
Pitá. A história narra, como toda história de amor que se preze, ao menos na alegoria, mais um caso
infeliz que termina mal.
Diz esta lenda que um índio chamado Pitá afogou-se nas águas caudalosas de um braço de rio, em busca da
pulseira que a índia Moroti lhe havia atirado. Moroti, querendo mostrar para as amigas o quanto era amada
pelo guerreiro, jogou a sua pulseira ao rio desejando que, como prova de amor, Pitá a trouxesse de volta.
O infeliz apaixonado atira-se nas águas turbulentas e não mais retorna. Desesperada e arrependida, Moroti
joga-se atrás do amado, tendo igual fim.
No dia seguinte, a tribo presenciou o nascimento de uma grande flor, que ao centro era branca como o nome
de Moroti, e as pétalas ao redor eram vermelhas como o nome do bravo Pitá.
A Vitória-Régia, a rainha das flores da Amazônia, só abre suas pétalas à luz do sol, recolhendo-se ao
cair da noite, para abrir-se novamente no dia seguinte.
Notas:
[1] É uma planta aquática que floresce e se desenvolve quando
das "águas vivas" e definha quando a água é pouca. É comum nas águas pouco profundas (cerca de meio metro).
Suas folhas podem atingir mais de três metros quadrados. O longo pecíolo que se eleva no centro da folha
é coroado por belíssima flor, de cor carmim e branco e aroma muito suave. Como ninfeácea é parente dos
nenúfares. A raiz desta planta é semelhante ao inhame, sendo por isso muito apreciada pelos indígenas.
[2]
Franz Kreüther Pereira, Painel de Lendas & Mitos da Amazônia, p.67, Belém-Pará - 2001.
[3] Rudá ou Perudá é o deus Tupi do amor, como Eros ou Cupido.
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