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    A Criança e os Hábitos IV

    "Série: Criando uma mente saudável – Parte 4”

    Autores: Jon Talber / Ester de Cartago[1]




    Palavras só tem valor quando acompanhadas da ação.
    Claro que em nosso mundo não podemos viver sem escolher. Isso não é possível, ao menos por enquanto, uma vez que todo mecanismo do nosso viver, se baseia na escolha. Logo quando abrimos nossos olhos, pela manhã, ainda na cama, temos de escolher, a hora de acordar, o planejar do nosso dia, se permaneceremos ou não na cama, e assim por diante.

    O modo como lidamos com nossas escolhas, isso, também passaremos para nossos filhos. Não se trata de um processo explicito, como, por exemplo, numa sala de aula, onde todos se sentam diante do professor para ouvir, suas preleções diárias. Em nossa rotina de casa, nosso comportamento diante das várias circunstâncias, esta é nossa lição para eles, uma coisa informal e involuntária, porque quase nunca estamos atentos aos nossos atos. E eis o primeiro problema; raramente estamos atentos.
    Como estamos sempre ocupados, com nossas próprias preocupações e afazeres, e quase nunca atentos ao que falamos e fazemos, devemos ao menos ensinar para elas, para nossas crianças, que cada situação ou circunstância de vida, sempre tem dois lados. Uma questão tem sempre dois lados, que igualmente, devem ser analisados, considerados, antes de uma decisão, seja um simples escovar de dentes.

    Por que precisam as crianças escovar os dentes após as refeições? Elas, suas crianças já estão cientes do por quê? Isso é um simples processo de escolha, que mais tarde se transformarão em escolhas mais complexas. Assim, desde cedo, elas precisam compreender isso, primeiro com as coisas simples, ficando claro que durante a vida inteira, terão sempre que escolher.

    Isso inclui estar sempre disposto a ouvir. Ouvir é um processo de escolha, e escolhemos aquilo que nos interessa dar ouvidos. Dar ouvidos é o mesmo que ouvir, assimilar aquele algo que nos é transmitido por alguém. As crianças só nos darão ouvidos, se, também estivermos dispostos a escutá-las. Aqui não vale fingir, elas saberão se há ou não interesse de nossa parte.
    Elas estarão dispostas a conversar se sentirem interesse de nossa parte, por aquilo que fazem. Não precisa ser uma atenção exagerada, basta um mínimo de atenção, algo como um elogio informal, sobre qualquer coisa que realizem. Um elogio é diferente de uma recompensa, ou um presente. Um elogio sincero, sem recompensas, sem presentes, para a criança, tem muito mais valor.

    Se a vida é um processo contínuo de escolhas, perder e ganhar, dessas duas coisas opostas, não poderemos prescindir em nosso viver. Saber perder e saber ganhar, deveria ser, senão a mais importante, uma das mais valorosas lições de vida, que poderíamos deixar como herança edificante para um filho, ou aluno. Isso, ao contrário do que muitos pensam, se aprende.

    Desse aprendizado, nascerá um adulto confiante, sensato, respeitador, justo, ou ao contrário, um fracassado, injusto, inseguro, e portanto, irritadiço, recluso, violento, como o são a maioria dos inseguros. Perder ou ganhar, se aprende, primeiramente em casa, diante de nossa atitude diária, a partir daquilo que sai de nossas bocas, nossos comentários, e finalmente, de nossas ações.

    Os pais são, em primeira instância, para suas crianças, aquilo que dizem ser, e dessa promessa, elas aguardam ansiosas por uma comprovação. Perceba-se a felicidade em seus rostos, quando são capazes de constatar, pessoalmente, que seus pais falaram a verdade, isto é, que aquilo que disseram, foram capazes de cumprir. A frustração do não cumprimento, se assemelha, ao que sentimos quando nos sentimos traídos por um amigo, não por qualquer um, mas por um amigo.

    Dessa frustração elas demoram, ou não conseguem, se livrar mais. Ficarão em dúvida sobre elas mesmas, se tornarão campo fértil para serem manipuladas por oportunistas, pelas más companhias. Tenderão a perder a confiança nos seus pais, ou educadores, e isso dificilmente pode ser revertido, e a confiança restaurada. Poderão até confiar, mas com ressalvas, o que não é confiança absoluta.


    De nossa atitude diante de uma falha ou perda, também eles herdarão nosso comportamento, seja ele de fracasso ou persistência. O bom humor diante de um contratempo, este é um dos maiores presentes que podemos lhes dar como educação de valor. Um adulto que enfrenta seus problemas com bom humor, jamais agirá com insensatez, sob nenhuma circunstância. Ele sabe que perder faz parte do jogo, e que não se perde sempre, nem para sempre, por isso aprende com os contratempos, e ensina, mesmo sem o saber, bem humorado, para suas atentas crianças.
    Mas, para que se tornem fortes diante dos problemas, primeiro temos que lhes mostrar, na prática, através do nosso próprio exemplo. Existe lição mais objetiva para uma criança, que ver o próprio pai, ou educador, mostrando para ela mesma, através de si mesmo, que aquela coisa sobre a qual lhe falou, é real? Ao dar um exemplo de atitude ética, ou postura diante de um problema, cumpra, para provar que aquilo é possível, que é coisa possível de ser feita.

    Não se tratará mais de simples palavras, mais de palavras que foram confirmadas pelo exemplo, e isso, definitivamente, para elas, torna-se uma verdade incontestável, incorruptível, para o resto de suas vidas.

    Por último, uma lamentação seguida de comentários degradantes, é uma excelente forma de criarmos uma criança negativa, pois ela encontrará mais exemplos desse tipo na rua, que os comentários edificantes. Por isso, devemos comentar as injúrias sofridas, ou problemas inevitáveis, sempre com uma dose de imparcialidade ou critica bem humorada. Isso criará nelas a certeza de que, um contratempo é apenas um dos lados da questão, que existe outro lado, e este pode ser, a saída.




    Autores:
    Jon Talber - jontalber@gmail.com
    Ester de Cartago - estercartago@yahoo.com.br
    Veja mais detalhes sobre os autores nas notas abaixo.



    Notas:

    [1]
    Jon Talber é pedagogo e escritor de temas de auto-ajuda. Estudou por muito tempo filosofia oriental e antropologia. Torna-se mais um colaborador eventual do nosso Site, onde pretende compartilhar parte daquilo que aprendeu.

    Ester Cartago é psico-orientadora em educação infantil e fundamental. Pesquisadora em antropologia social e fobias, também escritora de contos infantis, e colaboradora eventual do Site de Dicas.



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