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    A Criança e os Hábitos III

    "Série: Criando uma mente saudável – Parte 3”

    Autores: Jon Talber / Ester de Cartago[1]




    Para se construir uma base sólida, precisamos de bons materiais e de bons mestres de obras.
    Lembre-se, um hábito pode ser nocivo ou saudável. Se é capaz de tornar-se uma dependência, jamais poderá ser coisa saudável, mesmo que num primeiro momento seja capaz de proporcionar alguma satisfação, ou alegria.

    Um hábito saudável, o deve ser pelo prazer de ser vivenciado, como o que sentimos ao ouvir uma boa música, ou um bom conselho, e nunca pela necessidade ou obrigação de qualquer natureza. Depender de elogios ou méritos pode se tornar um hábito de conseqüências devastadoras para o futuro adulto.

    O dependente de elogios o será também de atenção, de ser o preferido, de ser sempre o centro das atenções. Será um critico sem procedência, isto é, sem causa, e tenderá a condenar qualquer opinião que não seja a sua, qualquer obra que não tenha o seu toque. Diante deles, todos serão sempre secundários, meros coadjuvantes dos seus anseios. Os ditadores possuem esse perfil.
    Condenar uma criança por um erro cometido, especialmente diante dos seus colegas, é o mesmo que sentenciar aquele futuro adulto à dependência completa de aprovação, ou insegurança psicológica, o que significa dizer, alguém violento, com dificuldade de ter relacionamentos duradouros.

    Um erro deve ser tratado como uma tentativa de acerto, ou uma maneira inadequada de se fazer uma coisa da forma correta. Não pode ser considerado um erro, uma falha por falta de habilidade ou de experiência, o que difere grandemente daquela criança que pratica alguma coisa sabidamente errada por exibicionismo induzido, de forma calculada.
    Trata-se um erro com a devida consideração e empatia de alguém que também já os cometeu aos milhares, esse alguém, que somos nós, os educadores ou pais. Leva-se então em conta a falta de maturidade da criança, e essa experiência, quer dizer, o modo como trataremos esse erro, pode se tornar coisa má ou boa em sua mente, a depender de como responderemos a isso.

    Um adulto inseguro e sem motivação, ou outro motivado e sempre disposto a recomeçar, eis o resultado que virá a partir da nossa resposta ao problema.


    A construção de uma criança, assemelha-se ao erguer de uma casa, cuja solidez, dependerá da qualidade do seu alicerce.
    Uma criança, por ser sensível ao extremo, deve ser tratada com o devido zelo, como alguém que ainda não sabe, mas que poderá estar disposta a aprender, e isso dependerá do modo interpretamos aquele ato, e como reagirmos. Se formos inquietos e intolerantes, elas assimilarão isso, e isso também será o seu futuro, e como adultos, repassarão para os filhos, e o ciclo recomeçará, ou simplesmente continuará.

    Se as tratarmos com paciência e compreensão, também teremos crianças compreensíveis, tolerantes, sempre dispostas a nos ouvir, a nos procurar nos momentos de suas aflições, sejam elas de qualquer natureza.

    E finalmente, lembre-se, criança não é um adulto de pequeno porte. Não é o “ser” criança uma simples questão de expressão corporal, acompanhada de voz infantil, ou o gostar de brinquedos, ou de objetos coloridos que façam barulho. Tudo isso são formas, que os adultos teimam em caracterizar, como o padrão que expressa uma criança. Ser criança é um estado existencial, que não pode ser simulado, nem criado de forma artificial, baseada nas aparências, assim como julgam os estúpidos, de mente estreita, que definem o “ser inteligente” como o saber imitar, como já fazem os papagaios, ao repetirem as palavras dos homens, mesmo sem saber o que estão falando.




    Autores:
    Jon Talber - jontalber@gmail.com
    Ester de Cartago - estercartago@yahoo.com.br
    Veja mais detalhes sobre os autores nas notas abaixo.



    Notas:

    [1]
    Jon Talber é pedagogo e escritor de temas de auto-ajuda. Estudou por muito tempo filosofia oriental e antropologia. Torna-se mais um colaborador eventual do nosso Site, onde pretende compartilhar parte daquilo que aprendeu.

    Ester Cartago é psico-orientadora em educação infantil e fundamental. Pesquisadora em antropologia social e fobias, também escritora de contos infantis, e colaboradora eventual do Site de Dicas.



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