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A Criança e os Hábitos II
"Série: Criando uma mente saudável – Parte 2”
Autores: Jon Talber / Ester de Cartago[1]
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Uma criança não aprende um vício sem uma fonte de referência, um modelo que lhe sirva de orientação. Isto é, um vício não nasce como predisposição de berço, ou fatalidade genética como muitos nos querem fazer crer, isto lhe será ensinado.
Sobre as predisposições genéticas, não devemos confundir a herança de um código físico, com disposições psicológicas. O corpo físico pode padecer de uma predisposição para o desenvolvimento de uma doença, uma mente nasce vazia, dotada apenas de instinto, sem disposições ou preferências para uma coisa ou outra.
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Uma doença nós não aprendemos, uma doença se desenvolve naturalmente, desde que as condições físicas necessárias à sua manifestação, e permanência, estejam presentes naquele veículo ou individuo. A mesma verdade não vale para os aspectos psicológicos da mente. Ali não há predisposição para uma ou outra patologia física, exceto as deficiências do próprio cérebro, mas apenas uma predisposição inata para assimilar qualquer comportamento já existente lá fora, qualquer um.
Do mesmo modo, não aprende uma coisa sem uma fonte, um modelo que lhe sirva de guia, isso inclui um padrão moral e ético que resolva adotar para si. Não a ética do educador, do tio ou pai, ou do personagem da moda, ou daquele que a história elegeu como uma referência que todos deveriam imitar, seja qual for, ela apreenderá um, ou vários, e daí finalmente nascerá o indivíduo no qual ela se tornará.
Sabendo disso, o educador ou o pai, deve fazer o possível, talvez ir além do possível, para que ela não se torne mais um autômato, um mero repetidor de coisas antigas, por mais sagradas que pareçam ser essas coisas aos nossos olhos. Lembre-se, tudo isso já foi tentado, repetido, herdado por nós, e eis o resultado que podemos ver em nossos dias.
Os nossos medos elas também herdarão, a menos que, não lhes ensinemos isso. Lembre-se, o medo se aprende, se pratica, se transforma em dezenas de outros medos. Não existe medo se não existem indivíduos medrosos, que ensinam aos outros os seus medos, e assim, os recém chegados aprendem aquilo que os outros já praticavam antes.
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Se temos problemas, sociais, de convívio, de preferência com isso ou aquilo, existenciais e tantos outros, elas, as crianças, nossos filhos, não precisarão herdar isso de nós. É tudo uma questão de boa vontade. O que vamos ensinar aos nossos filhos? Será que desejamos para elas os mesmos problemas e limitações psicológicas que já temos, ou desejamos que cresçam livres de tudo isso?
E o que é ser livre? Será que o sabemos? Como podemos ensinar alguém a ser livre se sequer sabemos que coisa é essa? Assim, não deveríamos começar por tentar descobrir, por nós mesmos, o que vem a ser um ente livre para depois ensinarmos? Ser livre é repetir ao nosso comando, que é nossa vontade, os velhos e antigos esquemas e padrões de conduta que já seguimos? Falando nisso, afinal, de onde vem a nossa vontade, senão dos mesmos e velhos padrões, que já programaram, subjugaram, domesticaram a nossa mente?
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Quando damos a devida atenção a uma criança, um mundo novo
estamos construindo...
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Como podemos ser livres, se ao longo de toda nossa existência apenas repetimos, e repetimos, velhas fórmulas, as milenares preferências e todo um modo de pensar? Não agimos de conformidade com aquilo que disse uma ou outra autoridade, seja ela sagrada ou profana? Em nossos dias, é diferente para nós daquilo que já foi para nossos pais e avós? Do mesmo modo que é importante nos aperfeiçoarmos como profissionais, não seria de igual, ou maior importância, aprendermos, sobre nossos medos, angústias, conflitos e causas do sofrimento humano. Poderíamos ir mais além, e eliminar tudo isso, do nosso existir.
Para ensinar liberdade, não aquela que significa sair de trás de grades ou portas fechadas, mas liberdade para pensar, para não repetir apenas porque a tradição o exige, em primeiro lugar precisamos descobrir, por nós mesmos, o que significa essa liberdade. Assim como, descobrirmos se há algum benefício, para nós, como seres humanos, em sermos livres. Isso nos dará a necessária força e motivação, para ajudar a criar uma mente livre, em nossos filhos ou alunos. Ser livre significa não sofrer, não imitar por força do medo, erradicar de vez de nossas vidas a violência.
E finalmente, também já fomos uma criança. E se agora, olharmos para trás, será que somos diferentes do pensamento do mundo, do mesmo mundo que nos formatou como indivíduos, que nos faz pensar como ele pensa? Existe um mundo psicológico sem as pessoas? Se não existe, nós em conjunto, toda humanidade junta, o que quer dizer, seu inteiro modo de pensar, somos esse mundo. A continuar sem mudanças, poderá ser diferente para nossos filhos?
Autores: Jon Talber - jontalber@gmail.com
Ester de Cartago - estercartago@yahoo.com.br
Veja mais detalhes sobre os autores nas notas abaixo.
Notas:
[1]
Jon Talber é pedagogo e escritor de temas de auto-ajuda. Estudou por muito tempo filosofia oriental e
antropologia. Torna-se mais um colaborador eventual do nosso
Site, onde pretende compartilhar parte daquilo que aprendeu.
Ester Cartago é psico-orientadora em educação infantil e fundamental. Pesquisadora em antropologia social e fobias,
também escritora de contos infantis, e colaboradora eventual do Site de Dicas.
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