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Auto Sugestão.

A Auto Sugestão é uma poderosa arma, na maioria as vezes, muito mal usada pelos mestres na história da personalidade infantil.

Ao ensinar o Mestre tem que ter consciência que todas as impressões, por ele passadas, aos alunos, vão interferir para sempre na formação da personalidade deles. * Fábulas
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As ervas daninhas só crescem em terrenos mal cultivados. Crianças e adolescentes defeituosos continuarão como tal, sob orientação descuidada no sentido psicológico. No colégio, as horas de aula são tão importantes quanto as destinadas ao recreio.

É preciso saber orientar no sentido aproveitável, todas as horas. Não basta uma disciplina "dura", isto é até prejudicial, criando hipócritas ou revoltados.

Os alunos mais atentos e estudiosos não são, por vezes, os mais inteligentes, porém os mais honestos. Seu espírito, voltado para as coisas que lhes despertam o interesse, não pode sonhar com o mal. Não se confunda horas de trabalho interessado, com "horas laboriosas". O nosso atual programa de ensino secundário pesa pelo excesso de disciplinas. Um estudante honesto vê-se, as mais das vezes, assoberbado, tirando um proveito mínimo dum esforço máximo, estafante. Nove ou mais disciplinas!

Cada professor afirmando a maior importância da que lhe cabe ensinar! Não sobra tempo para a meditação regular. Sócrates afirmava: "Deixai ir o vosso pensamento num vôo, como o dos insetos, mas prendei um fio as suas patas".

Por que não proporcionar semelhante vôo ao pensamento de nossos alunos, com um fio a prendê-lo e a outra ponta do mesmo em nossas mãos, a fim de que, ao menor desvio, possamos impedir que se percam?

O hábito de certos mestres, de cortar sem cessar um vôo de inteligência, nas crianças, castigando-as com reprimendas, infligindo-lhes outras penas, isolando-as de seus companheiros, fazendo-as copiar longos trechos desinteressantes, etc, é por sem dúvida, um hábito péssimo. Bem sei que me poderão responder citando alguns exemplos de crianças que, isoladas, desse modo, puderam trabalhar e produzir.

Sim, não discutiremos. São crianças de "um dom natural". Todavia, respondo aos carrancistas: o isolamento nesta idade é, quase sempre, um conselheiro detestável. Longe de seus colegas e do olhar vigilante do mestre, o preguiçoso se acomodará mais fàcilmente à preguiça, ao devaneio, ao sonho. Quanto à prisão, é duvidoso que ela tenha corrigido algum aluno.

É certo, entretanto, que ela tenha modificado, para pior, o caráter de alguns. A maior parte saia pior do que entrava. Os apáticos perdiam o respeito humano, tornando-se cínicos; os nervosos tornavam-se irritáveis preocupados com possíveis vinganças. Os escritores que nos têm falado de sua juventude e que sofreram prisões nessa época, falam-nos, ainda hoje, revoltados, escondendo mal a sua cólera.

Não é menos perigoso o emprego de certos mestres que, na melhor intenção de corrigir o mal, dirigem demorados sermões, sem endereço certo, numa classe, deixando a criança indefesa, aos olhares e as críticas de seus colegas, dando-lhes, por vezes, apelidos que a acompanham por toda vida.

Temos que refletir sobre os limites da inteligência humana. Quem pode afirmar que essa faculdade se conserve por muito tempo em equilíbrio perfeito, permitindo a compreensão dos fatos e a teoria que leva ao conhecimento do que é divino e humano? Se voltarmos à infância, continuamos a respirar, a alimentar-nos, a ver o que nos cerca; continuam os movimentos e todas as outras funções semelhantes.

Mas a energia, a observação diligente para satisfazer às exigências morais, para analisar as impressões recebidas, para conhecer se é chegado o momento de deixar a vida, saber prover a todas as necessidades que o raciocínio bem desenvolvido exige, tudo se extingue quanto antes.

É necessário, portanto aproveitar bem o tempo, moldando os futuros cidadãos, sem complexos.


Fonte:  Dr. Luiz Fraga (psiquiatra) - Rio-RJ - para a Revista do Ensino - Porto Alegre - Brasil


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