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    A Prática Respiratória no Dia a Dia

    "O espelho não revela quem somos,
    mas apenas aquilo que desejamos ser naquele dia..."

    Anônimo
    Autor: Alberto Filho[1]




    Coisas simples não significam coisas insignificantes
    Certas rotinas, hábitos que praticamente já fazem parte da mentalidade da humanidade, logo também se encarregam de criar os novos comportamentos dos jovens, e como não podemos evitar, resta então aprendermos sobre elas e decidirmos se nos servem ou, quando não, se podem ser descartadas de vez de nossas vidas.

    Com o passar dos anos, logo o jovem passa a absorver, incorporar, como se fossem papéis carbonos ou esponjas sugadoras, os caracteres dos adultos à sua volta. É espontâneo já que o ato de imitar é nossa maior e natural faculdade de apreender novas habilidades, qualificações, sejam elas negativas ou positivas. Tudo que somos o aprendemos pela imitação, até o emitir dos fonemas que formam todo nosso vocabulário falado. Não aprendemos a falar repetindo o que nos dizem, mesmo que inicialmente não conheçamos o significado? E assim não é com tudo o mais?
    E uma das propriedades como seres humanos, da qual fomos dotados, são os nossos estados emocionais. E estes diferem em características daqueles dos outros animais, pela capacidade que temos de nos darmos conta disso. Assim, podemos sentir emoções e memorizá-las, guardá-las como lembranças, conscientemente, com a ajuda do nosso pensamento, e as classificarmos como más ou boas. Em relação às demais classes animais sobre a terra, o fato de sermos dotados da capacidade de pensar e concretizar em atos nossas idéias, revela-se, um atributo singular, um espetacular progresso, uma diferença incapaz de espontaneamente ser alcançada por qualquer um deles.

    Mas, como seres pensantes e emocionais, herdamos dos nossos antepassados muitas questões psicológicas mal resolvidas, entre elas as angústias, as fobias, e toda uma série de sofrimentos existentes apenas em nossa psique. Daí a insegurança, a incerteza, as deformações de caráter, assumirem em nossos dias papel de destaque. São tais estados resultados das crises existenciais, da enorme pressão competitiva, da incapacidade de realizarmos todos os desejos que o mundo deliberou para nós como coisas necessárias, vitais, à obtenção da felicidade, do viver pleno.

    Conscientes de que uma nova postura é necessária para ajudar os jovens a enfrentarem seus dilemas pessoais, existenciais, suas crises de identidade e problemas com a auto-estima, deve então o pai ou educador, através da auto-ajuda, ou aperfeiçoamento pessoal, ensinar-lhes novos meios de lidar com tudo isso. Não sem antes eles próprios aprenderem; de praticarem em si mesmos.

    Frequentemente, encontramos em nossas salas de aula, jovens de todas as faixas etárias, desmotivados, inseguros, carentes de afeto, em busca de uma direção para si mesmo e para o viver; em busca de um sentido para a vida, e quase no limiar de mergulharem no desespero, por não saberem onde encontrar ajuda, sem saberem a quem devem dirigir-se, seja por falta de afinidade ou por falta de confiança, ficando enfim sem ter com quem compartilhar o que sentem. Esse vácuo que acaba por se criar, torna-se muitas vezes uma porta de entrada para a deformação moral e ética de muitos deles; pode representar o desperdício de um grande potencial criador, a anulação do despertar da capacidade produtiva de um jovem, que mais tarde poderia ser o diferencial de transformação em toda uma sociedade.

    Há algum tempo atrás, fomos procurados por uma jovem, queixando-se de uma falta de motivação, que eventualmente, sem prévio aviso, a dominava completamente. Nas vésperas dos exames, ou em vésperas de um compromisso que julgasse mais sério, logo a coisa ganhava proporções avassaladoras, uma vez que somado à falta de motivação, invadia-a uma angústia difícil de expressar através de palavras. E essa incapacidade de poder expressar de uma forma clara o que sentia, a deixava ainda mais angustiada, impotente, quase sem interesse por coisa alguma, e nestes dias, mesmo de alimentar-se não fazia questão.

    Resolvemos então modificar um pouco nossas aulas, e com uma turma de jovens da mesma faixa etária, iniciamos, sem que soubessem disso, mesclando em meio à disciplina tradicional e obrigatória de cada pauta escolar, assuntos relacionados com inseguranças pessoais, auto-estima, as razões dos nossos medos, etc. Com o passar dos dias, isso acabou por criar entre eles um despertar quase unânime sobre suas questões mais íntimas, suas próprias dúvidas existenciais, seus medos e problemas particulares. Depois de analisar a coisa por algum tempo, chegamos à conclusão de que a insegurança, a falta de confiança em si mesmo, devia ser tratada com alguma atenção de nossa parte, já que a escola permanecia alheia a tudo isso.

    Uma prática que incluímos como parte da didática escolar desses jovens, uma simples atividade que podia ser praticado em qualquer lugar, cujo resultado foi além de nossas expectativas, foi simples exercícios respiratórios. Nada de mais, apenas uma compreensão do quanto é importante o correto modo de respirar para o equilíbrio do nosso bem estar físico, e em especial no controle dos nossos estados emocionais, o autocontrole.

    A Prática:

    Inicialmente pedimos que todos, sentados do modo que lhes parecesse mais confortável, inspirassem pelo nariz, a quantidade de ar que cada um julgasse adequada para si. Deveriam em seguida, reter por alguns instantes esse ar nos pulmões, sem esforço ou desconforto, e depois lentamente ir liberando pela boca. Esvaziados os pulmões, não completamente para não serem obrigados a tomar novo ar às pressas, deveriam respirar normalmente, sem pressa, duas ou três vezes e repetir o processo. Explicamos que isso aumentaria a capacidade respiratória de cada um, traria mais oxigênio para seus cérebros, tendo como efeito imediato, a eliminação de qualquer ansiedade indesejada.

    Posteriormente, lhes pedimos para que aspirassem o ar pelo nariz, e simultaneamente, enquanto aspiravam esse ar, inflassem suas barrigas. Isso lhes permitira reter por um tempo maior o ar, depois, sempre dentro de uma condição onde o limite de cada um ainda não tivesse sido alcançado, deveriam expelir pela boca, enquanto lentamente contrairiam suas barrigas, e mais uma vez, não deveriam ficar sem fôlego, para não serem obrigados a tomar ar às pressas.

    Explicamos então que, essa retenção de ar, sempre dentro de um limite confortável para cada um, poderia servir de concentração às vésperas de um exame importante, ou outra atividade onde a ansiedade se fizesse presente. Também lhes informamos que, essa atividade respiratória, ajudaria a controlar seus impulsos naturais, suas ânsias, e lhes traria mais serenidade para o dia a dia, desde que regularmente, quando sentissem necessidade, fosse praticada.

    Claro que isso já havíamos feito com crianças menores, e os resultados foram tão promissores que resolvemos aplicar a todos. Os benefícios pudemos ver nos pequenos, quando se tornaram mais quietos, mais autoconfiantes, com maior controle sobre seus estados emocionais. E as brigas diminuíram, era como se de repente, cada um, se sentisse responsável por si mesmo e pelos seus atos. Com os mais velhos, de uma resistência e falta de credibilidade inicial, logo tivemos resultados que podemos chamar de excelentes. E logo muitos deles nos relatavam como estavam compartilhando a idéia em casa, com os amigos, como aquilo fora importante para conhecerem um pouco mais sobre si mesmos, seus estados de espírito, seus atos diários.





    Autor: Alberto Filho
    email: albjorge@yahoo.com.br
    Veja mais detalhes sobre o autor nas notas abaixo.



    Notas:

    [1] O autor é orientador de educação infantil e adulta, Idealizador e colaborador do Site de Dicas.


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